Agora pouco li um texto que me fez refletir, não só sobre as piadas feitas "em cima" de sua morte, mas no geral... Como eu estou comigo. E achei que valia a pena compartilhar com vocês. Eu sempre disse que gostaria de usar esse meu "reconhecimento" na internet, de maneira que pudesse ajudar outras pessoas e as vezes fico sem saber como começar... Essa talvez não seja a maneira certa, mas é um começo...
"Logo cedo soubemos da notícia do avião que caiu em Santos. Ou explodiu. Ou bateu num helicóptero. Era mesmo um avião? Caiu numa casa? Numa academia? E as vítimas?
As notícias eram imprecisas. Como sempre, os fatos eram poucos, os comentários, boatos e invenções, muitos. Os portais e emissoras de rádio e TV contaminaram-se pelo clima Chacrinhesco da Internet que veio pra esclarecer, com as redes sociais pilotadas por pessoas que vieram pra confundir.
Enquanto nos desinformávamos sobre o acidente da 'aeronave' em Santos começaram os comentários sobre o 'sumiço' de Eduardo Campos. A rota entre Rio e Guarujá que coincidiam. O prefixo do avião que era o mesmo. A possibilidade dele estar a bordo. Com ou sem a família. A falta de contato com ele via celular. Outros afirmavam que ele estava no avião, mas não confirmavam sua morte. Alguns publicavam que ele havia morrido no acidente a partir de possibilidades.
Enquanto cada órgão de imprensa seguia suas próprias regras e divulgava o que podia, o povo das redes dava início a outro ritual: o concurso de piadas a qualquer preço, em busca de pontos sociais no ranking da relevância. E, como a toda ação corresponde uma reação de mesma intensidade em sentido contrário, o grupo das pessoas (de bom senso) que acham de péssimo gosto fazer piada com tragédias também começou a se manifestar, junto com a turma que baixa discografia de recém-falecidos (no caso, pessoas que iriam votar no candidato falecido).
Eduardo Campos era jovem demais pra morrer, 49 anos. Pai de cinco filhos, incluindo um bebê de quatro meses. Dói no coração da gente. Estava em terceiro lugar no ranking das intenções de votos para a presidência, o que faz o destino parecer ainda mais irônico e injusto. Estava ONTEM à noite ao vivo no Jornal Nacional, o que nos assusta ainda mais, porque prova que 'para morrer basta estar vivo' e que sim, podemos morrer do nada, inesperadamente, sem aviso, de uma hora pra outra.
Uma tragédia como esta assusta todos os vivos e cada um reage de uma maneira. Os sensíveis se identificam com o pai de família e sofrem. Os oportunistas fazem a leitura de interesses que lhes cabe. Os idiotas encontram no súbito foco coletivo pelo tema uma chance de se fazerem visíveis, ainda que com comentários cruéis ou piadas inadequadas.
Mas é preciso lembrar também que cada um é o que é e que, em vez de sairmos atirando e apontando dedos pra todos os que julgamos errados, poderíamos aproveitar a ocasião para vermos o estado atual do nosso mundo, da nossa rede, das nossas relações.
E como está o mundo?
Eu vejo um mundo onde todos têm câmeras para revelar imagens, mas todos só conseguem tirar fotos de si mesmos, porque o self é o único interesse.
Eu vejo um mundo onde tantos têm megafones nas mãos, voz ampliada pra todo planeta, mas não têm nada para dizer.
Eu vejo um mundo de pessoas desesperadas por atenção, mesmo sem saber o que vão fazer quando estiverem no centro do palco.
Como todo mundo, também tiro selfies. Também me perco, me confundo. Também sou cruel e faço bobagens. E me arrependo depois. Ao falar do mundo que vejo não me isento, sou parte dele.
Só acho que estamos ansiosos demais, buscando demais, preocupados demais. Ninguém se importa tanto com a gente. Ninguém se importa com sua roupa, sua pinta, seus quilos a mais, ninguém. Ninguém se incomoda com sua unha lascada, com a cor do seu cabelo. É tudo loucura da nossa cabeça. Do nosso ego que quer ser maior do que somos. Aqui, um parêntese: eu só consegui deixar de engordar sem parar quando descobri que eu queria ser MAIOR do que eu sou. Mais famosa, mais rica, mais inteligente, mais bonita, mais mais e mais. E essa GULA por se mais me fazia ter sucesso em uma única coisa: pesar mais. Eu fiquei maior, mas em largura.
Essa coisa de querer ser maior não é errada. E nem quer dizer que temos que nos conformar com o que somos, com o status em que nascemos e ficarmos presos a ele como numa casta do sistema social Indiano. Normal querer subir na vida. Mas subindo ou não, felicidade é contentar-se com o que se tem a cada momento, mesmo desejando ampliar os horizontes. Essa coisa de querer ter mais dinheiro do que sabemos usar, mais amigos do que podemos administrar, mais fama do que somos capazes de suportar é só gula. Ambição desmedida. Não rola.
Por isso, acho que podemos sofrer sim com a morte de Robin Williams, do garoto do Hermes e Renato, do Chorão, da namorada do Mick Jagger, do Phillip Seymour Hoffmann, do Mandela, do Eduardo Campos. Podemos comentar, podemos escrever #RIP e sentir o quanto é bom ter pessoas com as quais compartilhar sentimentos. Mas não é preciso usar TUDO, até os mortos, para competir. Para ser mais. Para ser maior.
Porque, olha, se a morte serve pra alguma coisa é pra dar um toque pra quem está vivo de que isso aqui tudo é efêmero demais. Incontrolável. Inapreensível. A gente não sabe o que acontece depois da morte, não sabe de onde veio, nem pra onde vai. Não sabe quando nem como vai morrer. E por tanto que não sabemos, poderíamos pelo menos ter uma certa leveza em aproveitar o que temos enquanto temos a vida. E deixar os outros viverem também.
Eu não conhecia Eduardo Campos. Eu não tinha resolvido voltar nele. Mas eu sofro com a morte dele, do fotógrafo que estava a bordo, dos pilotos, das crianças de Gaza, dos meninos judeus que foram assassinados. Eu sofro como qualquer um sofre com a dor do outro. Porque se a dor do outro é possível ela pode acontecer comigo também. Isso é empatia.
Eduardo Campos morreu. Uma tragédia.
A nossa vida continua.
A nossa vida vai ser, enquanto ela durar, do jeito que a gente quiser.
Ela vai ser o que a gente fizer dela.
E, se a gente tiver consciência e parar um pouco com essa loucura de querer ser amado por todos, aceito por todos, reconhecido e aplaudido por todos, talvez possamos fazer das nossas vidas um coisa leve e prazerosa.
Porque se continuarmos nessa picuinha de brigar, discutir, condenar, proliferar idiotices, apontar, acusar, xingar, brigar (como eu faço de forma tão errada com tanta frequencia) nós vamos ser condenados a ficar nessa vida besta, policiando os outros.
A nossa vida continua.
A nossa vida vai ser, enquanto ela durar, do jeito que a gente quiser.
Ela vai ser o que a gente fizer dela.
E, se a gente tiver consciência e parar um pouco com essa loucura de querer ser amado por todos, aceito por todos, reconhecido e aplaudido por todos, talvez possamos fazer das nossas vidas um coisa leve e prazerosa.
Porque se continuarmos nessa picuinha de brigar, discutir, condenar, proliferar idiotices, apontar, acusar, xingar, brigar (como eu faço de forma tão errada com tanta frequencia) nós vamos ser condenados a ficar nessa vida besta, policiando os outros.
E, se é pra viver com as opções de sermos carrascos da vida alheia, piadistas de tragédias, julgadores de costumes e divulgadores de imbecis, talvez seja melhor morrer mesmo."
É engraçado pensar que eu também já passei por isso... Competia com amigas, com conhecidas, com gente que eu nem mesmo conhecia e pior, competia comigo. Eu tinha que ser mais bonita que fulaninha, mais popular que cicrana e não percebia o quanto o dia a dia estava ficando pesado, o quanto eu ficava obcecada com a minha aparência ou como as outras pessoas me viam, pessoas que na maioria das vezes nem se importavam comigo. No final eu não me sentia bem comigo mesma nem com ninguém. O mundo só tornou a ser colorido novamente a partir do momento que eu resolvi me aceitar exatamente do jeito que era... Feia ou bonita, rica ou pobre... Me afastei de tudo aquilo que me fazia mal e ufa... Foi um peso enorme retirado das minhas costas! Hoje eu me amo como sou e todos os dias travo uma batalha tentando melhorar meus defeitos.Aliás, uma tragédia dessas só nos faz perceber o quanto o dia de amanhã é imprevisível, e o quanto não devemos desperdiça-los com coisas que não nos acrescentam nada. Afinal, a vida não é uma competição, não queira ser como outra pessoa ou melhor do que ela... Mas sim você. VOCÊ é único.
O texto foi retirado da coluna "Querido Leitor" por Rosana Hermann no site R7.








Jéssica voçê é tudo de bom:linda, maravilhosa, inteligente e humana e algo me diz que eu já te conheci em outra vida, pois me sinto muito intimo de voçê. Mesmo sem nunca ter falado um oi com voçê nesta vida, sinto que tenho muitas afinidades com o que voçê pensa.
ResponderExcluirDe fato o seu post mais incrível! Belo texto! De parar e pensar e rever muitas coisas!
ResponderExcluirÉ muito bom ler uma coisa assim, as vezes até me esqueço das coisas realmente importantes e de como essas batalhas q travamos conosco e com o mundo por conta das aparências destroem e são desnecessárias. Muito tocante o texto e a mensagem através dele, vlw Jes.
ResponderExcluirQue bom que você gostou do texto! Espero que a gente possa se lembrar dessas coisas sem precisar ler um texto, e desapegar de tudo aquilo que nos puxa para trás! Beijocas!
ExcluirOk, você refletiu tudo isso pela morte de um politico, um ser humano, lamentável, também chorei, mas será que o conflito em Gaza o genocídio que Israel tem provocado na palestina, lhe renderiam tantas linhas sobre o assunto? Acho que é algo a se pensar, afinal essa guerra está acontecendo desde julho e seria mais justo as pessoas se comoverem mais com um genocídio em massa do que apenas com uma morte.
ResponderExcluirEu não sei se você leu ou apenas não entendeu o sentido do texto que não fala apenas da morte de um ser humano... Mas sim no EGOÍSMO. Nas piadas feitas em cima de uma tragédia... E não da comoção por causa da morte de um ser humano.
ExcluirTudo que Deus faz tem um proposito, pot mais que a gente ynao consiga entender... So Deus sabe a nossa hora de partida. E como vc disse "pra morres basta estar vivo" e essas tragedias nos servem para repensarmos nossas vidas. Que façamos como vc fez, vamos deixar de lado as coisas futeis q nd nos acrescentam. Ler essas coisas q vc escreve e ver certas açoes suas me fazem te adimirar cada vez mais, vc eh um ser humano. Tbn fiquei chocada com esse acontecimento e sofro td vez q lembro, triste saber q uma familia se foi numa tragedia...
ResponderExcluirLi tudinho, e olhas.. Me identifiquei em cada palavra. Sabe aquele tipo de leitura que abre a sua mente e faz você refletir? Pois então, esse texto teve esse efeito em mim, acompanho seu blog t-o-d-o-s os dias e nunca vi um coisa tão fantástica, que me faz se apegar mais ao blog e me encantar mais com a sua pessoa, além de linda sábia, essas palavras cada uma delas coube em cada centímetro do meu eu, por fim, muito obrigada pelo texto.
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